quarta-feira, 28 de março de 2012

VISUALIDADES

Imagens da exposição do pintor espanhol Jose Morea, em cartaz no MAC Dragão do Mar.







sábado, 24 de março de 2012

VISUALIDADES


Jose Morea
MAC Dragão do Mar exibe um belíssimo conjunto de telas inéditas produzidas por Jose Morea na sua Espanha natal e no Brasil, países em que mantém atelier. Ele divide seu tempo entre Chiva, cidade onde nasceu, nas cercanias de Valencia e Salvador na Bahia, para onde foge quando chega o inverno na Europa.. As duas cidades, segundo ele, são “mediterrâneas, lúdicas e coloridas”. O mesmo pode-se dizer de alguns momentos de seu trabalho. Em outros é mais denso, obscuro, abrindo espaço para a ironia e a crítica social.

Jose Morea 2 
Vindo de uma terra de grande tradição na pintura; terra de Velázquez, Goya, Picasso, Miró, Tapies, e seus universos seminais; Jose Morea pinta de maneira saborosamente livre e é saudável que não tenha uma linha definida (ele mesmo diz que “qualquer situação pode gerar uma imagem nova, não me importa se contradiz um quadro anterior”).Sua caligrafia, no entanto, não deixa de ser vigorosa e bastante pessoal.

sexta-feira, 23 de março de 2012

TELEVISIVAS



Perda
O cearense Chico Anysio foi um dos maiores comediantes do mundo, ao lado de Charles Chaplin, Buster Keaton, Peter Sellers e não muitos outros. Não conheço outro ator que tenha criado tantos personagens memoráveis.





quinta-feira, 22 de março de 2012

CINEFILIA


Perda
Morreu Tonino Guerra,  roteirista gênio. Sua colaboração com os cineastas Fellini, Antonioni, Tarkovski e Angelopoulos (outra grande perda de 2012), pra ficar apenas no Olimpo, gerou obras excepcionais como: Amarcord, E La Nave Va, A Aventura, A Noite, O Eclipse, Blow-Up, Nostalgia, Viagem a Citera, Paisagem na Neblina, O Passp Suspenso da Cegonha, A Eternidade e um Dia, e Um Olhar a Cada Dia. Foi indicado 3 vezes ao Oscar. Obviamente não recebeu nenhum. A seguir, cena de Blow-Up, de Miguelangelo Antonioni, e de Amarcord, de Federico Fellini.






terça-feira, 20 de março de 2012

CINEFILIA


Pina 3D
Pina, homenagem de Wim Wenders à coreógrafa alemã Pina Bausch, falecida há 3 anos, é o primeiro filme 3D que vejo em que a técnica potencializa o conteúdo. Aqui os enquadramentos e movimentos de câmera do diretor tornam a tridimensionalidade fundamental para a transformação das  magníficas coreografias selecionadas por ele, que sempre fundem teatro e dança,  em grandes momentos também de cinema.




sexta-feira, 16 de março de 2012

VISUALIDADES

Eduardo Eloy
Quando Eduardo Eloy me mostrou esta nova série de desenhos, feitos com café, nanquim e caneta de marcar cd sobre cartão, fiquei bastante impactado, embora não surpreso (de um artista de tal envergadura, esperamos sempre a superação). Alguns meses depois a mostra Nova Visitação estava montada no MAC Dragão do Mar sob minha curadoria.


Eduardo Eloy 2 
Nova Visitação apresenta o artista numa viagem introspectiva por uma iconografia bastante pessoal. Sua caligrafia não mudou nestes mais de 30 anos dedicados à arte e nos quais nunca percebemos  momento de estagnação criativa pois sempre buscou, obstinadamente, a expansão das possibilidades de técnicas que desenvolve com maestria como a gravura, a pintura e o desenho. Suas escrituras, porém, parecem mais livres. É algo como se um filho visitasse a casa paterna depois de alguns anos e, à luz da maturidade, resolvesse antigos conflitos (plantando obviamente a semente para outros).
Nova Visitação fica em cartaz só até o próximo domingo, dia 18.


quinta-feira, 1 de março de 2012

CINEFILIA

Irã
“O Ocidente premia filmes que vão na direção de suas políticas”, disse o sociólogo Iraniano Ebrahim Fayyaz. “O filme só obteve tanto destaque por ser contrário ao sistema de governo iraniano" afirmou o diretor do Ministério da Cultura e da Orientação Islâmica, Mohammad Bagher Khoramshad.  Eles estão corretos. A Separação, de Asghar Farhadi, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro deste ano é ótimo, mas há muito tempo o prêmio não se ocupa do que tem qualidade.  O cinema do Irã, premiadíssimo nos festivais internacionais (Palma de Ouro em Cannes  em 1997, com O Gosto da Cereja, de Abas Kiarostami, Leão de Ouro em Veneza em 1999, com O Vento nos Levará, também de Kiarostami, e em 2000, com O Círculo, de Jafar Panahi, pra citar alguns) sempre passou batido  pelo “Eunuco Dourado”(adorei a gozação de João Pereira Coutinho na Folha). Agora foi conveniente.

Hollywood 1
Os filmes O Artista e A Invenção de Hugo Cabret parecem partes de um mesmo projeto. No primeiro um diretor francês vai à Los Angeles  dos anos 20/30 e no segundo um estadunidense vai à Paris da mesma época.  Ambos pretendem homenagear o cinema.

Hollywood 2
O filme de Michel Hazanavicius foi rodado em preto e branco e é mudo na sua quase totalidade. A melhor cena, no entanto, a do pesadelo do protagonista com a chegada do cinema falado, é sonora. O resto é uma sucessão de pastiches, de citações manjadas e construções banais (num determinado momento a atriz ascendente encontra-se com o ator decadente numa suntuosa escada, ela subindo e ele descendo, obviamente).  L´Artist é kitsch não por uma opção estética que provoque qualquer questionamento, mas  por suas limitações criativas; por sua rendição a uma cartilha desbotada, e o que tem de positivo, como algumas atuações, a fotografia, a música (com exceção da inserção da trilha sonora  de Vertigo de Hitchcock, composta por Bernard Herrmann , que soa como um sacrilégio) potencializa em muito estas limitações.


Hollywood 3
De sua parte, Scorsese recorreu ao nascimento do cinema na  França, entre a  invenção do mesmo pelos  irmãos Lumière e os primeiros esboços da  linguagem  cinematográfica criados pelo mago Georges Méliès.  Tinha nas mãos uma belíssima estória pra contar em imagens e a seu serviço o máximo da tecnologia atual (o nível da fotografia  projetada em 3D beira a perfeição). O resultado, porém,  é um filme que não transcende ao gênero(infanto-juvenil), datado e escapista, que  nunca triunfa sobre os clichês. O superestimado diretor foi muito mais eficiente na intenção de declarar seu amor ao cinema no documentário A Personal Journey  with Martin Scorsese Through American Movies. Também o foi naquele que talvez seja seu melhor filme de ficção, o subestimado  Ilha do Medo. Ali, diferentemente  daqui, todo o repertório cinematográfico do cineasta ecoava com inteligência e inventividade.


Colônia Hollywood
Pela primeira um filme francês ganhou os prêmios principais da academia. Alguém conseguiu detectar alguma coisa do cinema francês (ou europeu) em O Artista?


Memória/ Oscar
A festa de entrega do Oscar tem por tradição homenagear as personalidades do cinema falecidas no último ano. Esqueceram Theo Angelopoulos, gênio grego de obras como A Viagem dos Comediantes, O Apicultor, Viagem a Citera, Paisagem na Neblina, O Passo Suspense da Cegonha, Um Olhar a Cada Dia, A Eternidade e um Dia, Vale dos Lamentos e Poeira do Tempo.Todos obrigatórios ao museu da memória dos cinéfilos.


Memória/ Oscar 2
Durante a festa da academia, chegava-nos a notícia da morte de Erland Josephson, ator bergmaniano que trabalhou com Angelopoulos em Um Olhar a Cada Dia, este sim, uma linda homenagem ao cinema. Esperar um minuto de silêncio foi pura utopia.
No vídeo a seguir um tributo a Um Olhar a Cada dia.